31/12/08
MARIA
Ida para Lisboa na sexta, apresentar o novo livro de poemas de um dos seres luminosos que tenho a felicidade de conhecer: a Maria Azenha.
A Maria é uma mulher bela. Mas mais, muito mais do que isso: a ela aplicam-se os versos da divina Safo:
" O que é belo, é belo de ver, e basta.
Mas o que é bom, subitamente será belo."
A CHUVA NOS ESPELHOS é um belísimo livro de poemas.
Não posso deixar de transcrever aqui uma parte do prefácio que tive a alegria de escrever para o livro:
" O espelho é o lugar onde nos conhecemos. A imagem do homem é-lhe dada pela água em repouso e pela luz que nela se reflecte." O espelho é umas vezes o símbolo do sol, a luz original, o elemento masculino e forte, outras o símbolo da lua, o elemento feminino e suave. Mas o espelho de Maria é um raríssimo espelho onde se encontram a força e a sauvidade.
Aqui transcrevo um dos poemas de Maria:
SONHO
estamos na sala as três
encontro três pedras negras
três romãs
três túnicas brancas pousadas num cubo
as três pedras negras
são mais negras que o caminho
as três romãs pendem do escuro
as três túnicas brancas são do mais puro linho
uma é de criança
outra para brilhar num lago
a terceira foi talhada
na mais hábil folha de nevoeiro
esvoaçam de sala em sala
bordadas a noite inteira
parto de manhã
deixo a casa
só o riso das crianças
nos seus cadernos de água.
maria azenha
in ODISSEUS de Henrique Dória
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